Não vi nem o Ali G nem o Borat, os filmes-personagem que o Sacha Baron Cohen fez antes deste Bruno, apesar de, é claro, estar familiarizado com as personagens, por causa dos programas de TV. Não sou grande fã do humor do SBC, embora me agrade um certo lado subversivo. Mas o facto de esse humor se basear muito em pôr os outros a ridículo, mesmo quando eles merecem, deixa-me quase sempre incomodado. É um humor que está muito próximo da humilhação e se há coisa que não suporto é ver alguém ser humilhado.
Fui então ver o Bruno porque tinha vontade de ver como é que ele utilizava a homossexualidade da personagem. Não estava à espera que o filme tivesse uma leitura muito plana acerca do assunto, nem gozando abertamente com os clichés ligados aos homossexuais, nem, pelo contrário, pondo a ridículo a homofobia. Ou seja, não me parecia que o filme tivesse uma leitura política. O que de facto acontece. O humor de SBC funciona demasiado como um rolo compressor para conseguir salvaguardar muitas subtilezas, apesar de ser um humor mais inteligente e mental do que parece.
Para falar com franqueza acho que o SBC utiliza demasiado o sexo como elemento desencadeante das situações. Não que isso me choque pessoalmente, mas acho que tem um efeito perverso: muitas vezes o filme esgota-se nesse incómodo, e o facto de ser todo construído sobre isso faz com que haja uma certa dissipação do cómico. Ou seja, ser provocador só faz sentido quando se pretende obter mais qualquer coisa do que uma simples reacção. É um terreno perigoso, o do provocador: raras vezes consegue ser subversivo, a maior parte delas limita-se a ser um chato.
Sinceramente acho que é sobretudo isso que acontece ao Bruno.
Just got back from Hartbeespoort. LOVED it. Did not love being approached by people trying to sell random trinkets who would not take no for an answer. We had no choice but to be rude and roll up the windows.
Tonight we're finishing off a bottle of Captain Morgan Spiced Gold Rum and watching the last six episodes of Lost.
Retardo-me nas últimas páginas do livro. Não tenho vontade de o terminar, pelo contrário apetece-me atrasar o momento da derradeira página. Leio e releio o capítulo dedicado ao encontro com Borges. É irrepreensível. Em todo o capítulo há apenas uma palavra de que não gosto. Tento, sem sucesso, fixar os trechos dos poemas citados. Levanto-me e vou olhar os livros de Borges que tenho na minha estante, e que li há tantos anos.
Está para ser (re)lançado um dos melhores livros - na verdade, uma trilogia - de Ficção Científica brasileiros. Aquilo a que chamamos, entusiasmados, "um verdadeiro clássico". Li os dois primeiros volumes na década de 90, quando tinha vinte e poucos anos, e aguardava há anos o relançamento da obra para, enfim, lê-la por inteiro, degustando cada parágrafo.
Mas no meio do caminho tinha (tem) uma pedra, tem (tinha) uma pedra no meio do caminho...
Não vou dar nome aos bois, por motivos que se tornarão óbvios nas próximas linhas, mas tenho informações de que o livro, nesta nova encarnação, está repleto de erros de copidesque. E não só: a editora "sumiu" com trechos inteiros da obra, supõem-se que no processo de redigitação.
Fico eu aqui pensando, perplexo: o que leva uma editora a tomar uma atitude suicida dessas? Lançar uma trilogia de Ficção Científica, gênero arriscadíssimo no Brasil, ainda por cima escrita por um brasileiro;investir um ou dois anos de seu tempo e esforços no trabalho de "preparação" da obra e não se preocupar com o mais básico, com o que nem é tão caro mas que é essencial: um bom profissional, atento, que faça de fato aquilo para o que foi pago: a revisão e o copidesque.
Estou chocado, chocado. E decepcionado, claro. Já estava até me preparando para comprar a obra assim que aparecesse nas livrarias. Mas, agora, não vou mesmo. No way! Comprar obras que sabidamente são descuidadas nesses quesitos de revisão e copidesque é estimular más editoras que não estão nem aí para a qualidade. Que querem grana, só.
Quanto será que custaria um bom revisor? Mil reais, dois mil reais? Certamente, não mais do que isso. Preço bem inferior à vergonha de se lançar uma obra descuidada e que, pelo menos da minha parte, não receberá propaganda positiva.
Já tinha visto um filme do realizador filipino Brillante Mendoza, Pantasya, e não tinha achado grande piada. Mas vi agora Serbis (Serviço) e gostei bastante. Tenho ideia de o filme ter sido exibido num festival de cinema português, creio que no IndieLisboa, mas não tenho a certeza.
O filme é todo construído à volta (ou melhor, dentro) de um velho cinema, daqueles enormes, com plateia, balcão e muitos foyers, que está completamente decrépito, sujo e degradado, e cuja programação consta de filmes pornográficos, em sessões frequentadas sobretudo por homossexuais à procura de engates. O velho cinema chama-se Family, é gerido por uma família que vive nas próprias instalações, e constitui o palco da sua luta pela sobrevivência.
O edifício é, e isso para mim é o mais fascinante do filme, a sua principal personagem. O modo como são ocupados os espaços, o forte contraste entre a função para que foram criados e a sua actual utilização, o modo como esses espaços cederam e tiveram de se adaptar, a maneira como o filme vai percorrendo e desvendando os circuitos, os corredores, as escadarias, como entra e sai das salas, tudo isto dá ao edifício um carácter quase orgânico. Como se fosse um barco que navegasse através das ruas da cidade (como o edifício da companhia de seguros no início do filme dos Monty Python, The Meaning of Life), a qual quase só se entrevê a partir do interior do próprio cinema.
Apesar de as personagens não serem muito desenvolvidas do ponto de vista dramático e de lhes faltar alguma espessura e densidade, a família e os clientes do cinema e do seu restaurante (enfim, por assim dizer) constituem o outro polo de interesse do filme. Muito pelo modo como a câmara ora os vai seguindo nos seus percursos labirínticos pelo interior do edifício, um pouco como se estivesse à procura do seu desígnio, ora como se detém a contemplá-los, na expectativa de uma revelação. Se a personagem da matriarca da família se assume como o pólo dinamizador da narrativa, para mim as personagens essenciais do filme são, como é óbvio, as de Nayda e Alan, respectivamente tia e sobrinho, que nos seus papéis muito contrastantes, simbolizam os dois vectores que marcam esta família: uma tenaz vontade de sobreviver, e um inelidível desejo de evasão.
estou surpreendido. compensa mais contratar uma empresa de mudanças do que alugar uma carrinha por um dia. partindo do princípio de que a informação nos flyers está correcta.
vou mudar do lado esquerdo do parque eduardo VII para o lado direito, a distância é mínima. já mudei as coisas mais pequenas, ficaram as coisas que não cabem num carro convencional. já estão desmontadas. ambos os edifícios têm elevador. só falta saber que empresa de mudanças está disposta a aceitar este trabalhito. preciso de saber o que o querem dizer com o "desde 25€ à hora". mas mesmo que fosse 50€ compensava, o aluguer de uma carrinha custa +- 70 euros dia e não vem com ajudantes.
se alguém conhecer um empresa séria diga qualquer coisa.
Todo (ok, quase todo) o dia de ontem enfiado num auditório enorme, à cunha, a participar numa mega feira das vaidades, hardcore 1º escalão, muito auto-congratulatória(!), com laivos de comício pré-campanha eleitoral. Já há muito que não saía da minha toca e estava desabituado do cerimonial dos beijinhos, dos bolinhos secos, dos jarros de sumo de laranja, e dos 'olá, tá bom?'.
Salvou a jornada a escapadela para um magnífico almoço no restaurante Ibo, ali escondido junto à estação do Cais do Sodré, voltado para o rio, e que nos traz a memória tropical e terna dos sabores de Moçambique.
it took almost three weeks for our internet to get installed. that's not really all that unusual for south africa, but what made the whole thing drag out even more was that we had to get steve's company to sign and pay for everything since we're not from here and don't have any accounts in our names. bandwidth is limited in south africa. we pay about $80 for only 3 GB!
i've become a little obsessed with cleaning. bugs are found everywhere here, so i've been vacuuming and mopping about 3 times per week. we mostly have silverfish, ants, spiders, and these really gross looking things that resemble cockroaches. we've also found two lizards since we moved in.
other than the cold nights and endless supply of bugs, things are wonderful.
Não satisfeita em assassinar covardemente brasileiros com a desculpa de que eram terroristas, a Inglaterra agora manda lixo tóxico e biológico "de presente" pro Brasil!
Dez contêineres com cerca de 300 toneladas desembarcaram no porto de Santos. Na nota fiscal constava "lixo plástico para reciclagem". Dentro: fraldas usadas, luvas cirúrgicas, frascos de remédios, entre outras coisas mais. Até larvas tinha.
Eu, se fosse o governo brasileiro, despejava tudo de volta nos jardins de Sua Majestade.
Brasil: de "celeiro do mundo" a "lixão do mundo". Tá feia a coisa...
Vai pipocando, aos poucos, comentários publicados na Web a respeito da Paradigmas 2, onde tenho o conto Triângulo em tempo rubato e gota de sangue.
Antonio Luiz M. C. da Costa, jornalista e escritor, escreve o seguinte sobre o meu conto:
Um conto genial, que seria perfeito se não fosse a passagem na qual o autor, sem mais nem menos, faz o gato falar como erudito bíblico. Não faz sentido, nem como voz do gato, nem de Hannah - é intromissão do autor exibido para prejudicar a própria história.
A escritora Cristina Lasaitis, autora de um dos melhores livros de contos de Fantasia e Ficção Científica que já li (Fábulas do Tempo e da Eternidade), comenta em seu blog:
Conto BÁRBARO do Saint-Clair Stockler, Triângulo em Tempo Rubato e Gota de Sangue conta um pitoresco triângulo amoroso de uma moça, um rapaz e… um gato! A história é contada através das impressões do felino a respeito dos humanos e os rastros que eles deixam no universo que o rodeia. O que o faz formidável é o domínio da narrativa, criando um texto leve, lírico, sinestésico, preenchido de momentos casuais e belos. Este é o conto que mais gostei no livro.
Sócrates é o líder que mais férias tira, Ferreira Leite diz que não tira nenhuma
Quinze dias para José Sócrates, dez para Francisco Louçã, no máximo um fim-de-semana prolongado para Manuela Ferreira Leite, férias antecipadas para Jerónimo de Sousa e Paulo Portas. Se Agosto ainda é o mês de férias por excelência para os portugueses, este ano não o será para os políticos.
O Tour de France, cuja edição de 2009 começou no Sábado passado, é a prova de ciclismo mais popular e importante em todo o mundo. Para mim, o Tour de France é o Eddye Merckx, o Bernard Hinault, o Miguel Indurain. É o Joaquim Agostinho. São as tardes de domingo a ver a última etapa, nas ruas de uma Paris que dificilmente parecia mais gloriosa e monumental.
Mas é sobretudo uma canção dos Kraftwerk: Tour de France Tour de France.
Juro pra vocês que se eu tivesse os meios para fazê-lo, esta seria a hora de arrumar as malas e pular fora do Brasil.
Estou convencido de que nunca antes na história deste país nós estivemos tão mergulhados num mar de lama e merda tão grande! Chego a me sentir profundamente humilhado em ser brasileiro ao ver um cara como o Lula, com a sua dita "trajetória política", movendo mundos e fundos para salvar o lamentável José Sarney.
É uma hora negra pro nosso país, mas parece que ninguém está dando a menor bola pra isso. Somos um país de 190 milhões de autistas, cada um enfurnado no seu mundinho e que se dane o resto.
Sim, pois é, tudo na vida é questão de se entender as coisas, de chegar nelas pelo lado mais propício. Por exemplo: meu irmão me deu um Sony Ericsson w980, que nem esse da foto aí de cima. É um celular (adoro a palavra "telemóvel") incrível, cheio de funcionalidades e algumas frescuragens: até chamada de vídeo o bichinho faz! Como vocês todos que me lêem sabem, sou fã apaixonado da Nokia, até hoje só troquei os meus celulares Nokia porque enjoei, não porque tivessem dado defeito, mas de cavalo dado a gente não repara os dentes. Andei uma semana me "adaptando" ao w980 e já estava prestes a assumir a humilhante derrota e pedir o meu Nokia 5310 de volta (que eu dei pro meu irmão), quando subitamente se fez a luz, e tudo se iluminou dentro da minha cabeça! A questão resolveu-se de modo muito simples, porque finalmente entendi que o w980 não é um celular que vem com um mp3 player mas um mp3 player que, por acaso, também vem com um celular e faz ligações.
Parece besteira, mas depois dessa súbita epifania, eu e o w980 começamos a entabular uma certa relação: já não olho mais pra ele atravessado, de má-vontade e mau humor, e ele agora se deixa manipular mais docilmente, creio mesmo que até meio contentinho.
Como o meu povo lá de Minas diz, que coisa besta sô! A gente acha filosofia nos lugares os mais inesperados...
La noche me cubre y tú me entregas en la boca todo cuanto cabe entre tus manos. La vida es una en nosotros, en esa caricia en la cual confundo tus manos con mi boca, donde no sé sí es tuya o mía esa lengua, de quién esa piel, y de dónde entonces esa mano que hace suyo un seno que está no sé dónde, porque no sé quién está arriba o abajo, ni quién cuándo o por qué, de quién ese ser que se adentra y se derrama, en el grito que hiere cuando llegas. Y respiro para atarte a ti, mi amante, ropa henchida en el piso, silencio y cuerpo que ignoro, que abrazo, sin razones para negarme a tu cuerpo, sus tentáculos de fuego, sus cavidades de hiel.
O dia de ontem começou às sete da manhã com um telefonema. O meu pai estava a sentir-se mal. Fui levá-lo ao hospital. Às nove e meia tive notícias de que estava bem e vim para casa. Voltei ao hospital ao meio-dia para o ir buscar e fui levá-lo a casa. Depois fui almoçar com um grupo de amigos, companheiros de viagens passadas e, esperançosamente, de viagens por vir. Às quatro vim a casa, vesti um fato e tive de ir a um velório. Logo a seguir, para contrabalançar, e ainda de fato vestido, fui visitar uma bebé que tem pouco mais de três meses de idade e que é uma ternura: linda e perfeita, daquelas que parece que são feitas para podermos olhar para elas e reconciliarmo-nos com o mundo. Regressei a casa, despi o fato e fui ter com outros amigos, de passagem pela cidade, para jantarmos. Soube-me logo bem encontrar-me com eles na esplanada e melhor ainda o seu ar veraneante. Pela primeira vez ao longo do longo dia, descontraí-me e senti-me bem e feliz. Quando me deitei, apesar de cansado, estava tão estimulado e sensível, que não conseguia adormecer, a ter ideias para textos. Tomei nota de alguns, para ir escrevendo. Um deles foi este. Que dia.
Dedico este texto, não à rainha santa, cujo dia ontem se assinalou, mas ao João, ao Dejan e ao Félix, que me salvaram o dia.
Descobri, bem recentemente, um blog do site da BBC sobre Londres. É escrito em brasileiro e, ao que pude perceber, revezam-se três ou quadro jornalistas mulheres que moram em terras de Sua Majestade, escrevendo sobre os mais variados assuntos.
Fiquei encantado com a leveza dos textos e com o fato de que são muitíssimo bem-escritos (em tempos da não-obrigatoriedade de diploma para jornalistas, o que ando vendo de absurdos escritos por aí não está no gibi!), de um jeito que só as mulheres às vezes parecem saber fazer, já que leveza e sensibilidade não são qualidades muito comuns entre os machos de nossa espécie. O meu texto preferido dos que já pude ler é o que fala sobre os esquilos cinzentos londrinos, que são encarados pelos ingleses como uma praga a ser exterminada.
Para quem estiver interessado, aí vai o link do blog:
Acho que, agora que não se precisa mais de diploma, vou me tornar jornalista. Mais precisamente: jornalista literário. Ao menos, acho que tenho conhecimento o suficiente para não cometer barbaridades do tipo que cometeu Luciano Trigo no blog d'O Globo que segue a FLIP, o Máquina de escrever. Escrevendo a respeito do afegão Atiq Rahimini (que ganhou o Goncourt), Trigo solta a seguinte pérola:
"Rahimi, de quem li, na noite passada, o pequeno romanceSyngé Sabour - Pedra de paciência. Altamente poética e fortemente marcada pela literatura de Marguerite Duras, outra estrangeira assimilada pela cultura francesa (...)"
Ora, só isso já foi suficiente para me botar espumando: como assim, Marguerite Duras "estrangeira assimilada pela cultura francesa"?!? Marguerite Duras foi francesa por toda a sua vida, nunca deixou de sê-lo e é impensável - chega a ser insano - falar numa Duras "estrangeira". Por acaso ela nasceu em Gia Dingh, próximo de Saigon, na antiga Indochina francesa. Nasceu lá porque sua mãe foi uma das colonizadoras do país, viviam ali como se na França estivessem, nunca se adaptaram - e nem havia motivos para fazê-lo - à cultura dos colonizados. A Indochina era então, além de "propriedade" da França, um lugar que reproduzia, ao menos para os colonizadores, les moeurs français... Marguerite Duras nunca precisou ser "assimilada" pela literatura francesa simplesmente porque nunca deixou de fazer parte dela, nem por um segundo! Não é difícil perceber que seu ponto de vista sempre foi o de uma francesa, mesmo quando fora da França: quem leu pelo menos seu livro mais famoso, O amante, não terá dificuldades em constatá-lo. Não é como, por exemplo, o caso da chinesa Shan Sa, que precisou aprender francês e só depois que começou a escrever livros nesse idioma foi que conseguiu o reconhecimento.
Há cerca de 20 minutos, um Celta bateu no poste em frente da minha casa. Cinco minutos depois, apareceu uma patrulhinha. Minha mãe ligou para os bombeiros, e foi atendida por uma pessoa sonolenta que, segundo ela, parecia ter acabado de acordar. Até agora os bombeiros não apareceram. O motorista continua dentro do carro. Os policiais estão sendo de uma incompetência abismante. Se limitam a ficar de braços cruzados, observando tudo.
Mesmo sendo três e meia da manhã, é claro que juntou gente. Às vezes acho que o verdadeiro esporte nacional brasileiro é ver pessoas acidentadas.
Os bombeiros ainda não apareceram. Estou chocado (era pra ficar, Saint-Clair? Brasil...)
Minha mãe, que é ainda mais maldosa do que eu, avisa que os policiais estão revistando o veículo. "Pra roubar alguma coisa, claro".
Enfim, a primeira ambulância aparece! O paramédico desceu dela como se fosse passar o domingo no parque, numa lentidão digna de um bailarino.
Algo de estranho acontece: o paramédico que, depois de olhar pelo vidro o motorista ferido, ligou para a central do seu celular e voltou para a ambulância, anda a xingar aos berros alguém lá dentro. Será um dos enfermeiros? Não, não é. Já tem alguém ali, amarrado a uma maca. Um bêbado? Um drogado? Por que o paramédico, um "profissional", fica xingando aos berros a pessoa?
Chega a segunda ambulância. Agora, finalmente, se preparam pra tirar o motorista. O paramédico e um enfermeiro pedem a ajuda de um dos policiais. Não é suficiente, precisam que uma das pessoas que se juntaram para assistir também ajude.Parece que o acidentado está com bastante dor, mas pelo menos não se esqueceram de colocar o colar no pescoço dele.
Acaba de chegar uma senhora com um rapaz, parentes ou amigos do acidentado. Vi quando um dos meus vizinhos que desceu pra assistir (sim, o verbo é esse mesmo) pediu ao motorista que informasse o telefone de alguém, "pra avisar".
A primeira ambulância foi embora. Levou o pobre coitado (drogado? bêbado?) amarrado na maca. O paramédico praticamente nada fez no presente caso, mas se desestressou bastante xingando a pessoa amarrada.
Botaram o motorista na segunda ambulância e a estacionaram aqui na calçada, suponho que para os primeiros socorros.
Bom, agora se foram!
Algumas considerações:
Aos brasileiros: torçam para que Deus ou o Acaso nunca permitam que vocês sofram um acidente! O festival de incompetências que acabo de relatar não é exceção - é a regra. Fiquei, aqui do quarto andar, observando tudo com olhar crítico de alguém minimamente equilibrado e me parece que houve uma cadeia de erros: na demora na chegada da ambulância, na postura dos policiais, no jeito do paramédico. Mais de 30 minutos para os primeiros socorros a um acidentado não é um tempo aceitável! Quantas pessoas não morrem por causa de situações semelhantes a que acabo de ver?
Aos portugueses: vocês reclamam do seu país, mas as coisas aí ainda são melhores do que aqui. Não serve de consolo, mas pensem nisso.